Why It Matters
"I went from maternal health expert to obstetric patient so fast. As a black woman, I found myself wondering what might have happened if I had arrived with only my husband who is also black, and without a group of white doctors."
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Reducing Health Inequities in Brazil: Institutional Racism and the Effects on Maternal Outcomes

By Jacqueline Alves Torres | Monday, May 7, 2018

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Jacqueline Alves Torres is an Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) representative and part of the steering committee for Parto Adequado, a project that has reduced C-sections by 38 percent in Brazil. With the assistance of IHI project coordinator, Santiago Nariño, Alves shares her perspective — as an Afro-Brazilian woman, nurse midwife, doctor in Epidemiology — on the influence of institutional racism on maternal health in Brazil. Para portugese, veja abaixo

It was a sunny spring morning in a seaside town near the city of Rio de Janeiro. Researchers and managers from the Brazilian Ministry of Health were meeting with a team from the UK’s National Institute for Health and Care Excellence (NICE) to develop guidelines for obstetric and neonatal care. I was in the fifth week of pregnancy at the time, and I never would have imagined that in a few hours I would need these guidelines.

I went from maternal health expert to obstetric patient so fast. After being in the classroom in the morning, I experienced a sharp abdominal discomfort and then I fainted. My colleagues — all obstetric experts — rushed to the hospital with me.

Disoriented, I woke up witnessing a misunderstanding between the hospital staff and my fellow obstetricians. I could not get up, nor did I fully understand what was happening. All I could tell was that there was a long delay in the decision-making process. I later learned how serious my experience had been. I had an ectopic pregnancy, a ruptured tubal pregnancy with extreme internal hemorrhaging, but I was alive.

Despite the positive outcome, I started panicking the next day. As a black woman, I found myself wondering what might have happened if I had arrived with only my husband who is also black, and without a group of white doctors. Would the hospital have taken my symptoms and complaints seriously? It is impossible to know for sure.

I kept these worries to myself. I was afraid that my concerns would be dismissed. In Brazil, as in other countries with a history of enslavement of black people brought from the African continent, many people generally admit to the existence of racism, but refuse to acknowledge their own prejudice and how it affects their personal and professional relationships. In Brazil, it is often argued that discrimination exists in terms of schooling and income, but not color.

But my sense of despair over what might have happened because of racial discrimination was well founded. Scientific evidence demonstrates the existence of racial inequities in maternity care, with worse outcomes the darker the color of the skin of the mother. A national study, done in both public and private hospitals in Brazil, found that even after controlling for economic and social inequalities, race plays a role in poor childbirth outcomes and lack of prenatal care, especially when comparing black and white women. Other studies show that delay in care is a factor associated with severe morbidity and maternal death, and that black women account for 60 percent of maternal deaths in the country despite representing only 25 percent of the population.

Incorporating Equity into the Next Phase of Parto Adequado

In 2013, the same year that I experienced my obstetric urgency, the Ministry of Health launched the National Policy of Integral Health of the Black Population. However, there are few reports of progress in its implementation. To improve the quality of obstetric and neonatal care, we must recognize the evidence that institutional racism is a social determinant of health, and develop and implement change ideas in dialogue with black women to identify the needs of this population, reduce their vulnerabilities, deconstruct stigmas and prejudices, and strengthen a positive black identity.

Led by the ANS, the Institute for Healthcare Improvement (IHI) and Hospital Israelita Albert Einstein, Parto Adequado‘s second phase is well underway with 138 participating hospitals. The project’s credibility has led to the creation of a larger coalition that incorporates the voices of black women to promote maternal health equity in Brazil. Thus, from my leadership role in this project and my identity as a black woman, I was able to bring back value to my personal experience and decided to share it, with the intention of contributing to the awareness of all the leaders involved in the project about the need to work for the elimination of racial inequities in childbirth and birth care.


Reduzindo Iniquidades na Saúde no Brasil: o Racismo Institucional e os Efeitos nos Resultados Maternos

Jacqueline Alves Torres é uma representante da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e faz parte do corpo diretivo do Parto Adequado, projeto que reduziu as cesarianas em 38% no Brasil. Com a assistência do coordenador do projeto IHI, Santiago Nariño, Alves compartilha sua perspectiva - como mulher negra, enfermeira obstetra, doutora em Epidemiologia - sobre a influência do racismo institucional na saúde materna no Brasil.

Era uma manhã ensolarada de primavera em uma cidade litorânea perto da cidade do Rio de Janeiro. Pesquisadores e gerentes do Ministério da Saúde do Brasil se reuniram com uma equipe do National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido (NICE) para desenvolver diretrizes para assistência obstétrica e neonatal. Eu estava na 5ª semana de gravidez na época e nunca imaginei que em poucas horas precisaria dessas diretrizes.

Em um curto interval passei de expert em saúde materna a paciente obstétrica. Depois de estar na sala de aula pela manhã, senti um forte desconforto abdominal e depois desmaiei. Meus colegas - todos médicos, brancos, especialistas em obstetrícia - correram para o hospital comigo.

Desorientada, acordei presenciando um desentendimento entre a equipe do hospital e meus colegas obstetras. Eu não conseguia me levantar nem entendia completamente o que estava acontecendo. Tudo o que eu sabia era que havia um longo atraso no processo de tomada de decisão. Mais tarde, compreendi a seriedade da minha experiência. Eu tive uma gravidez ectópica rota, com hemorragia interna extrema, mas eu estava viva.

Apesar do resultado positivo, comecei a entrar em pânico no dia seguinte. Como mulher negra, fiquei imaginando o que poderia ter acontecido se eu tivesse chegado apenas com meu marido, que também é negro, e sem um grupo de médicos brancos. O hospital levaria a sério meus sintomas e reclamações? O atendimento teria sido ainda mais demorado? É impossível saber com certeza.

Guardei essa percepção para mim, tinha receio de que meu relato fosse interpretado como exagerado ou sem fundamento. No Brasil, assim como em outros países com história de escravização de pessoas negras trazidas do continente africano, a população, em geral, admite a existência do racismo, mas se nega a reconhecer seu próprio preconceito e como isso afeta suas relações pessoais e profissionais. . Argumenta-se que discriminações existem em função de escolaridade e renda, mas não de cor.

Mas meu senso de desespero sobre o que poderia ter acontecido por causa da discriminação racial era bem fundamentado. Evidências científicas demonstram a existência de iniquidades raciais na assistência ao parto, com pior cuidado quanto mais escura é a cor da pele. Um estudo nacional, feito em hospitais públicos e privados no Brasil, descobriu que, mesmo depois de controlar as desigualdades econômicas e sociais, a raça desempenha um papel nos desfechos, pois persistem piores indicadores de atenção pré-natal e ao parto nas mulheres negras em comparação às brancas. Outros estudos mostram que o atraso no atendimento é um fator associado à morbidade grave e à morte materna, e que as mulheres negras respondem por 60% das mortes maternas no país, apesar de representarem apenas 25% da população.

Incorporando Equidade na Próxima Fase do Parto Adequado

Em 2013, no mesmo ano em que vivenciei minha urgência obstétrica, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. No entanto, há poucos relatos de progresso em sua implementação. Para melhorar a qualidade da assistência obstétrica e neonatal, devemos reconhecer as evidências de que o racismo institucional é um determinante social da saúde, desenvolver e implementar ideias de mudança a partir diálogo com mulheres negras para identificar as necessidades dessa população, reduzir suas vulnerabilidades, desconstruir estigmas e preconceitos e fortalecer uma identidade negra positiva.

Liderada pela a ANS, o Institute for Healthcare Improvement (IHI) e o Hospital Israelita Albert Einstein, a segunda fase do Parto Adequado está em andamento com 138 hospitais participantes. A credibilidade do projeto levou à criação de uma coalizão maior que incorpora as vozes das mulheres negras na promoção da equidade em saúde materna no Brasil. Assim, a partir do meu papel de liderança neste projeto e de minha identidade enquanto mulher negra, pude ressignificar minha experiência pessoal e decidi compartilha-la, com a intenção de contribuir para a sensibilização de todas as lideranças envolvidos no projeto sobre a necessidade de trabalharmos em prol da eliminação de iniquidades raciais na atenção ao parto e nascimento  

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